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Comunidade
Que a oposição de Menezes seja construtiva e que não precise de arranjar mais “índios da Amazónia” para dar visibilidade às suas propostas.
São praticamente antagónicas as leituras feitas sobre a eleição do novo líder do PSD.Houve quem tivesse virado a bandeira do PSD para baixo, como se antecipasse o fim do partido e outros fazem rasgados elogios à capacidade de iniciativa de Luís Filipe Menezes.
Não importa qual das duas versões mais se adequa à realidade. São emotivas e foram proferidas sem o devido distanciamento da surpresa que constituiu para muitos o resultado das eleições directas.
O que é inequívoco é a legitimidade conquistada e as provas dadas por Luís Filipe Menezes sobre a forma aguerrida como se envolve nos seus desafios, pessoais e políticos.
No que se refere à legitimidade, Menezes assume-se como a força da mudança desejada pelas bases. O PSD não consegue viver sem uma perspectiva de conquista do poder, no imediato. Meneses ganhou contra a maioria do aparelho e a maioria dos “barões” o que lhe dá ainda mais legitimidade. Aliás, a conflitualidade que está a ser gerada entre alguns destes notáveis é exemplo da perplexidade com que encaram a vitória de Luís Filipe Menezes.
Em relação à sua combatividade, para se evitar erros passados, parece-me que o PS não pode desvalorizar o PSD. Vai dar trabalho.
Quase todos os comentadores colocam uma expectativa muito baixa em relação ao seu desempenho. O PS não pode cair neste erro.
É minha convicção que Luís Filipe Menezes não vai ganhar a José Sócrates. É quase uma certeza – o mesmo sucedia se o adversário fosse Marques Mendes –, mas isso não significa que se desvalorize o líder da oposição. Em política não há vitórias antecipadas. Como, aliás, se provou nas eleições directas para a liderança do PSD.
Mas, como líder da oposição, também espero que Luís Filipe Menezes assuma uma postura responsável e que estabeleça como objectivo central da sua actividade política a melhoria da qualidade de vida dos portugueses. Que seja uma oposição construtiva e que não precise de arranjar mais “índios da Amazónia” para dar visibilidade às suas propostas.
Os falcões da guerra
Fascinante e aterrador. São estas as reacções depois de ler a conversa entre G. W. Bush e Aznar na preparação da guerra contra o Iraque. Fascinante porque descreve em pormenor as leituras políticas dos dois dirigentes. Aterrador porque mostra a mesquinhez e hipocrisia de quem está na origem de um dos maiores erros nesta década.
Cito apenas três excertos, retirados da edição do “Público” desta segunda-feira:
– “Bush: Saddam Hussein não vai mudar e continuará a jogar. Chegou o momento de nos desfazermos dele. É assim. Eu, pela parte que me toca, procurarei a partir de agora usar uma retórica o mais subtil possível, enquanto tentamos a aprovação da resolução.”
– “Bush: (...) Chirac conhece perfeitamente a realidade. Os seus serviços de espionagem já lha explicaram. Os árabes estão a transmitir a Chirac uma mensagem muito clara: Saddam Hussein deve ir embora. O problema é que Chirac acha que é o senhor árabe e na realidade está a fazer-lhes a vida impossível. Mas não quero ter nenhuma rivalidade com Chirac. Temos pontos de vista diferentes. Dá-lhe os melhores cumprimentos da minha parte! Quanto menos rivalidade ele sentir que há entre nós, melhor para todos.”
–“Aznar: Saddam Hussein não cooperou, não desarmou, deveríamos fazer um resumo dos incumprimentos e enviar uma mensagem mais elaborada. (...)
–“Bush: A resolução será feita de modo a ajudar-te. Tanto me faz o conteúdo.
–“Aznar: Faremos com que te cheguem uns textos.”
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Jorge Coelho, Membro do Conselho de Estado
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